quinta-feira, março 19, 2009

Lamento

Quando eu a quero séria, profunda,
ela gargalha alto na minha cara,
se faz engraçada, se faz piada,
se faz fútil, criança, insensata.

Quando eu a quero casta, pura,
ela sai quase nua pelas ruas,
persegue homens e mulheres,
como louca a beijar outras bocas.

Quando eu a quero bem rimada,
alexandrina, heróica ou sáfica,

ela logo se faz branca, livre, dura,

acha a primeira cerca e pula.


Quando eu a quero doce, grata,
ela rápido se faz dama distante,
se enfeita de mil e uma maldades,
me apunhala, me tira sangue.

Quando eu a quero plena, agora,
ela me ilude, me escapa, some,
foge na noite, escondida da lua,
me deixa arrasado, calado, insone.

Quando eu me irrito, já não a quero,
ela vem e se insinua, me provoca,
fácil me põe sonhando acordado,
fácil de novo seu namorado.

E quando eu penso nela assim,
já nem sei bem do que falo,
se desta poesia que eu faço,
ou se então, mulher cruel, de ti.

Um comentário:

Haline disse...

Ai, adorei esse. bjobjo