sexta-feira, março 27, 2009

A Balada da Princesa Improvável

A bela princesa improvável,
pós-feudalismo reinava sozinha,
seu reino perfeito de tão inviável,
seu castelo de cartas, sua casinha.

Mas sofria a princesa improvável
de mal depressivo moderno
sofria a donzela insondável
a maldição de um tédio eterno.

E quis um deus mais irônico,
um destes deuses de jardim,
pregar uma peça na princesa,
acordando um cavaleiro atônito.

Sabendo as fraquezas da princesa,
escolheu o deus jardineiro
a dedo um estranho cavaleiro,
para tentar a mulher indefesa.

Eis o bravo cavaleiro imóvel,
em seu fogoso alazão de pau,
correndo a acudir a princesa,
a resgatá-la do tédio mortal.

Mas ora, a princesa improvável,
cansada de sua triste sorte,
se enamora do herói imprestável,
e jura amá-lo até a morte.

E no assustado cavaleiro imóvel,
esquecido do gosto da vitória,
arde logo um fogo incontrolável,
tão óbvio o final desta história.

E neste conto de fadas revisto,
neste tempo tão pós-moderno
no reino inviável eterno,
reina este casal nunca visto.

Ela o vulcão, ele a montanha,
Ela o fogo indomável, ele o lago gentil.
A terrível e bela Isabel de Espanha
e um Pedro da Rússia, porém mais sutil.

E lá no quintal, perto do chafariz,
no pomar do castelo de cartas,
vive um risonho deus das matas,
cúmplice do poeta neste final feliz.

3 comentários:

tralala disse...

:)

simone disse...

que bonitinho...achei doce, ingenuo, ela um vulcão dá um valor muito erótico para uma princesa tão embotada. mas gostei

Rafael F. disse...

Pensei em fazer uma história em quadrinhos com esse poema.